Líderes criam bons ambientes para as pessoas

[et_pb_section fb_built=”1″ custom_padding_last_edited=”on|desktop” admin_label=”section” _builder_version=”3.4.1″ background_color=”#ffffff” background_image=”https://tiagorios.blog/wp-content/uploads/2018/05/0-2.jpg” custom_padding_tablet=”50px|0|50px|0″ transparent_background=”off” padding_mobile=”off”][et_pb_row admin_label=”row” _builder_version=”3.0.47″ background_size=”initial” background_position=”top_left” background_repeat=”repeat”][et_pb_column type=”1_3″ _builder_version=”3.0.47″ parallax=”off” parallax_method=”on”][/et_pb_column][et_pb_column type=”2_3″ _builder_version=”3.0.47″ parallax=”off” parallax_method=”on”][et_pb_divider show_divider=”off” height=”200″ disabled_on=”on|on|off” admin_label=”Divider” _builder_version=”3.2″ hide_on_mobile=”on”][/et_pb_divider][/et_pb_column][/et_pb_row][/et_pb_section][et_pb_section fb_built=”1″ custom_padding_last_edited=”on|desktop” admin_label=”Section” _builder_version=”3.0.74″ background_color=”#f7f7f4″ custom_padding_tablet=”50px|0|50px|0″ transparent_background=”off” padding_mobile=”off”][et_pb_row custom_padding=”27px|0px|0|0px|false|false” _builder_version=”3.4.1″][et_pb_column type=”4_4″ _builder_version=”3.0.47″ parallax=”off” parallax_method=”on”][et_pb_text _builder_version=”3.4.1″ text_font=”PT Serif||||||||” text_font_size=”20px” text_line_height=”2em”]

Aconteceu um experimento científico em 1966, pelo biólogo Bruce Lipton, que trata de Determinismo Genético. Esse experimento tentou provar que nossos genes determinam nossas células e, consequentemente, determinam nosso destino. Como você sabe, o ser humano é formado por um incontável número de células. Se os genes que recebemos dos nossos pais determinam nossas células e nosso destino, nossos genes determinam o futuro da humanidade, afinal assim como nossos pais, nós e nossos filhos carregam os mesmos genes.

Mas não foi isso que o estudo mostrou. Na experiência, foram colocados três grupos de células geneticamente idênticas em três ambientes diferentes.

Uma célula, em geral, pode:

1)  se desenvolver e se dividir, criando mais células;

2)  pode ficar neutra; ou

3)  pode se quebrar e morrer.

O resultado foi que as células se desenvolveram diferentemente dependendo do ambiente em que elas estavam. E isso pode não ser novidade agora, mas é uma grande descoberta e mudou completamente a forma da ciência ver genes, células e o determinismo genético. E essa é uma das abordagens que a neurociência trouxe nas últimas décadas.

A novidade é que você pode se proteger de ambientes que não são favoráveis criando o seu próprio meio-ambiente na sua mente, com suas crenças ou, se for possível, mudar fisicamente seu ambiente, mudar o lugar que você está.

Se uma pessoa tem uma genética que não a favorece, é possível mudar seu destino, com a forma de pensar, a forma de perceber os eventos e dar significado para os acontecimentos, a forma de agir e de se relacionar. Você pode mudar o que você acredita, você pode mudar sua mente e mudar seu destino.

Se você vai para um ambiente que é estressante, o que acontece? Se você não estiver consciente para evitar isso, seu organismo e suas células respondem “estresse, estresse, estresse”, e as células se quebram e morrem. As células fazem isso. É o caminho natural. Ou elas se desenvolvem e se dividem criando mais células; ou elas ficam neutras; ou elas se quebram e morrem.

Existem diversas formas de interpretar o que acontece conosco e diversas formas de influenciar os ambientes em que vivemos e convivemos. Vou tratar de duas formas a seguir: primeiro, do ponto de vista espiritual e, depois, do ponto de vista biológico.

Para o ponto de vista espiritual, cito o exemplo do pacifista e escritor vietnamita Thich Nhat Hanh. Ele fala sobre isso com algumas metáforas no seu livro The Art of Power (A Arte do Poder)Ele tentou parar a guerra do Vietnã, pois não apoiava nenhum dos lados e os dois lados (Vietnã e Estados Unidos), consequentemente, não gostavam dele. O conceito que ele apresenta é o seguinte:

Nossos sentimentos são como sementes na terra. Quando uma semente é regada em nosso subconsciente e se manifesta como uma energia em nosso consciente, torna-se uma formação mental, uma emoção ou um pensamento.

Por exemplo, você tem uma semente de raiva, mas quando esta semente de raiva está adormecida, quando está dormente em seu subconsciente, você não sente raiva. No entanto, quando a semente é tocada, quando é ligada, quando é regada, torna-se uma emoção consciente, a consciência mental “chama” a raiva e você sente a energia da raiva surgir.

Podemos visualizar a consciência como uma sala-de-estar e o subconsciente como um porão. Se você regar a semente da felicidade, essa semente vai crescer e se manifestar no nível superior da consciência tornando a sala-de-estar bonita, tornando a nossa mente brilhante, com boas emoções, bons pensamentos e bons sentimentos.

Se você regar a semente da raiva ou a semente do ódio, ela vai fazer a sala de estar da nossa mente um inferno para você mesmo e um inferno para as pessoas que convivem com você. Todos nós temos uma semente de raiva, uma semente de desespero, uma semente de ciúme, uma semente de inveja, uma semente de ganância, uma semente de ódio. Uma semente de cada sentimento.

Se você vive em um ambiente negativo, o ambiente pode desencadear estas sementes. Se você vive em um ambiente positivo, as sementes da cobiça, violência, ódio e raiva, por exemplo, não são tocadas com facilidade. Por isso, é melhor para você escolher um bom ambiente ou tentar mudar seu ambiente para melhor, um ambiente que vai impedir que estas sementes negativas sejam tocadas ou regadas com frequência.

Você não deve deixar que outras pessoas ao seu redor toquem ou reguem estas sementes e você não deve regar essas sementes das pessoas. Então, você precisa de diligência e disciplina para controlar o seu meio ambiente e as suas sementes. Você precisa disso para não ativar essas sementes negativas e não permitir que o ambiente ative essas sementes.

É isso que está acontecendo com muitas pessoas: suas percepções sobre a vida, suas percepções sobre o ambiente em que vivem, estão fazendo com que suas células se quebrem e morram.

Agora, se você vai para um ambiente e vê: possibilidade, crescimento, oportunidade, suas células vão responder e vão se desenvolver. Você pode criar esse ambiente dentro da sua mente. Basta alterar sua percepção sobre o ambiente e o significado que você dá para os acontecimentos.

Você tem a escolha de como percebe os eventos, de como vê o mundo e no que você acredita. Nós temos a possibilidade de escolher como percebemos o mundo e como percebemos a nossa vida e nosso ambiente. Nós não somos células independentes que reagem automaticamente ao ambiente. Nós temos a consciência, nós temos um cérebro mais desenvolvido e é ele que pode mudar a nossa percepção e é isso que nos faz pessoas tão poderosas. Muitas pessoas não têm noção do poder que possuem. Você está acima da sua mente. Você não é a sua mente. Na verdade, você cria a sua mente.

Você tem o poder da percepção e o poder do que você acredita. Quando você recebe uma informação ou um estímulo externo, você tem o poder de decidir “não, isso não vai me abalar”. Você tem a escolha de permanecer num ambiente ou mudar a forma de perceber o ambiente e como esse ambiente afeta você. É isso que pode criar transformação na nossa vida e na vida das pessoas que importam para nós.

E para o ponto de vista da biologia humana, o livro do escritor inglês Simon Sinek, Leaders Eat Last (“Líderes comem por Último”) nos oferece estudos sobre liderança organizacional. Além do ponto de vista biológico, Simon compartilha um ponto de vista antropológico e social, da natureza do comportamento humano e nos mostra a grande responsabilidade que os líderes têm de fornecer segurança.

Nos ambientes em que vivemos e convivemos (nas famílias, nas organizações, nas empresas e até mesmo nos governos) quem escolhe ser líder, deve pensar nos interesses dos seus liderados da mesma forma que pensa nos próprios interesses ou, em determinadas situações, pensar primeiro nas pessoas que são impactadas por sua liderança e não dar prioridade para os próprios interesses. Assim como um pai ou uma mãe, que alimentam os filhos antes de pensar em alimentar a si mesmos. Daí vêm o conceito de “Líderes comem por último” ou “Líderes se servem por último”, que foi o título da tradução brasileira para o livro de Simon Sinek.

No livro, o autor conta que, num passado distante, vivíamos cercados por perigo constante e escassez de recursos, com animais selvagens por toda parte e a necessidade de caçar nossos alimentos. Agora, temos (ou deveríamos ter) segurança nos ambientes que estamos. No entanto, muitos de nossos líderes não entendem a importância de promover a segurança de seus liderados em primeiro lugar. A segurança é uma necessidade humana. E quando não sentimos segurança, precisamos investir nosso tempo e nossa energia para nos proteger dos perigos externos. É por isso que trancamos as portas à noite: para ter segurança contra ameaças externas.

Quando estamos em um ambiente em que existe confiança, em que as pessoas se conhecem e confiam umas nas outras, onde os líderes promovem a segurança, estamos mais propensos a cooperar uns com os outros, trocando informações e ideias que podem ajudar no desenvolvimento de cada pessoa e do grupo.

Mas, para desenvolver esse tipo de ambiente, é necessário empatia. E a empatia começa na liderança. Quando nossos líderes fornecem proteção de cima para baixo, quem está sob influência da liderança fica mais livre para trabalhar e não precisa investir tempo e energia para se proteger de perigos externos e, muitas vezes, dos perigos internos.

Quando as pessoas se tratam com empatia, com respeito, com dignidade, com compaixão, todos são beneficiados. Quando não sentimos empatia, respeito, dignidade, compaixão de nossos líderes e de nossos pares, o resultado raramente é positivo, pois não sentimentos segurança. Um ambiente que não promove a segurança das pessoas, faz com que as pessoas sintam falta de controle. E a sensação de falta de controle, por sua vez, causa estresse e tensão emocional.

Quando os ambientes que estamos incentivam o crescimento, a contribuição, a cooperação, o aprendizado, a valorização, é possível não apenas sobreviver, mas prosperar. E é responsabilidade das lideranças estabelecer as condições do ambiente para que tudo isso aconteça em harmonia.

Dizem que é impossível mudar pessoas. Mas, quando mudamos os ambientes, os comportamentos e os hábitos das pessoas mudam. Nossos comportamentos estão baseados nas reações químicas que são desencadeadas nos nossos corpos. Então, quando nossos líderes não transmitem segurança, quando não há empatia e todos os outros sentimentos que trazem harmonia para os ambientes, uma combinação química perigosa é criada e, a partir disso, o ambiente fica tóxico para todos.

Existem 5 elementos químicos principais que nossos corpos produzem e desencadeiam uma série de emoções e sentimentos: endorfina, dopamina, serotonina, ocitocina e cortisol. E o nosso grande desafio é ter o equilíbrio químico desses elementos.

A endorfina e a dopamina são os elementos químicos ligados às conquistas individuais, principalmente. No passado, eram esses elementos que nos motivavam a caçar alimentos. E, atualmente, são esses elementos que nos incentivam a adquirir bens, ter objetivos, fazer projetos. E eles são liberados quando temos alguma vitória pessoal, quando construímos alguma coisa ou quando progredimos na vida. A endorfina também tem outra função específica: ela mascara a dor física nos dando a sensação de prazer. Muitas vezes, ela é liberada em resposta ao stress ou ao medo e ela mascara essas sensações com o sentimento de prazer.

A dopamina, especificamente, é o elemento físico da realização de objetivos. Ela é liberada quando encontramos algo que estamos procurando, quando fazemos algo que precisa ser feito, quando conquistamos alguma meta pessoal. Ela é responsável pelo sentimento de satisfação quando terminamos uma tarefa importante, uma etapa de um projeto ou quando avançamos em direção aos nossos objetivos. E, por esse e por outros motivos da vida moderna, após milhares de anos da evolução humana, muitos de nós ficamos dependentes desses elementos químicos naturais que nossos corpos produzem.

Quando sabemos que podemos ter uma recompensa financeira, como um bônus de final de ano, por exemplo, nossos corpos nos recompensam por trabalhar muito, liberando dopamina e endorfina a cada momento que chegamos mais perto dos objetivos, dando a sensação de satisfação ao mesmo tempo que mascara o estresse com o prazer de estarmos perto da nossa meta. A dopamina e a endorfina são, também, relacionados aos sentimentos de egoísmo e ganância.

A serotonina e a ocitocina, por outro lado, são elementos químicos que nos incentivam a trabalhar em conjunto e em cooperação, são os elementos químicos da confiança e da lealdade. Esses elementos nos estimulam a fortalecer laços sociais, amizades, relacionamentos e, consequentemente, nos levam a dar continuidade a outras vidas. São elementos relacionados ao afeto, ao amor e ao altruísmo. São, também, os elementos químicos responsáveis pela boa liderança. A boa liderança é a liderança focada nas pessoas em primeiro lugar e incondicionalmente, com empatia e compaixão pelo próximo.

A serotonina, especificamente, é o elemento químico que desenvolve o sentimento de orgulho, por exemplo, quando percebemos que outras pessoas gostam de nós e nos respeitam. Esse elemento faz as pessoas se sentirem fortes e confiantes.

A ocitocina é o elemento químico favorito de grande parte das pessoas. É o sentimento que temos quando estamos próximos das pessoas que gostamos e confiamos. É a ocitocina que causa a sensação que temos quando fazemos algo bom para alguém ou quando alguém faz algo bom para nós. Ela é responsável pelos sentimentos de cuidado, compaixão, empatia e pelo carinho entre as pessoas.

E existe o grande vilão: o cortisol. Esse elemento inibe a liberação de ocitocina e, consequentemente, inibe todos os sentimentos que a ocitocina pode criar quando é liberada, como a empatia, por exemplo. Quando estamos em algum ambiente onde sentimos insegurança, precisamos investir tempo e energia para nos proteger dos perigos externos e até dos perigos internos, pois não há um ambiente de empatia, de cooperação.

Quando o cortisol inibe a liberação de ocitocina, há um desequilíbrio. A liberação de dopamina pode ser maior e, por consequência, nos torna pessoas mais egoístas e com a tendência de sentirmos menos preocupação com as outras pessoas ou até mesmo com o ambiente, a organização ou a empresa.

O cortisol é um dos mecanismos de sobrevivência do nosso corpo. Ele é o elemento químico que cria o sentimento de dúvida, medo e ansiedade. Por exemplo, se trabalhamos em um ambiente com lideranças que não transmitem transparência e que existe constante ameaça, mesmo que indireta, criando clima de animosidade entre as pessoas, o resultado é a desconfiança, a falta de cooperação e menos cuidado com as pessoas dentro da empresa ou da organização (os colegas) e também fora (os clientes).

E quem é capaz de criar e promover ambientes favoráveis e evitar a criação de ambientes destrutivos?

Líderes. Quem lidera dá o tom do ambiente e essas pessoas precisam estar dispostas a olhar para seus liderados com empatia. A responsabilidade das pessoas que lideram é proteger os liderados. Quando as pessoas que estão sendo lideradas corretamente sentem que têm controle, que tem segurança, que tem confiança, elas sempre vão fazer o que é melhor para o ambiente, para a organização ou para a empresa. Quando há um sentimento de segurança e confiança mútua, as pessoas têm mais coragem, porque sabem que seus pares, seus colegas e até mesmo seus líderes vão estar dispostos para dar o apoio e suporte necessários.

No Brasil, especificamente, existe uma crise de liderança nos níveis mais altos do nosso país, nas pessoas que lideram o governo do nosso país. Essa crise de liderança afeta ainda mais todos os setores de trabalho. Não há confiança nas pessoas que nos lideram. E isso afeta o desenvolvimento econômico, por uma cultura baseada em dopamina alta (interesses individuais em primeiro lugar), causando falta de confiança dos agentes econômicos, que consomem menos e investem menos. Não é meu objetivo falar de política, mas sim de liderança.

No governo, quando há uma liderança com foco nas pessoas que são governadas, uma liderança que proporciona um ambiente seguro das ameaças, as pessoas governadas cuidam umas das outras, as pessoas estudam mais, trabalham mais e, por terem as oportunidades que os agentes proporcionam, vão construir sucesso pessoal e profissional. E todos ganham.

Tudo sempre começa nas lideranças e nas pessoas. Nas empresas, quando há uma liderança com foco nas pessoas, uma liderança que proporciona um ambiente seguro das ameaças externas e internas, as pessoas que trabalham nas empresas cuidam umas das outras, as pessoas cuidam dos clientes, as pessoas crescem, as pessoas estão mais aptas a ver oportunidades e os clientes, por sua vez, satisfeitos com o atendimento, com os produtos e/ou serviços fazem o resultado da empresa através dos números. Tudo começa nas lideranças e nas pessoas. Não é nenhuma ciência espacial. É a biologia humana.

Mas, a realidade é que existem pesquisas mostrando que cerca de 60% das pessoas são infelizes no trabalho. Ou seja, 6 em cada 10 pessoas não gostam do ambiente em que trabalham, não tem bom relacionamento com colegas e líderes, por diversos motivos. Ou simplesmente porque a empresa na qual trabalham não se importa realmente com as pessoas. Visam apenas os números e as pessoas estão em segundo plano. Muitas empresas esquecem que são as pessoas que fazem os números acontecerem.

A boa liderança, seja nas organizações, nos governos ou nas empresas, é um processo de longo prazo. O impacto da boa liderança só pode ser visto com o tempo. Quando apenas o curto prazo é considerado para a tomada de decisões, elas geralmente são baseadas no interesse próprio dos líderes que estão com a dopamina alta e o cortisol alto, inibindo a ocitocina.

No livro de Simon Sinek, ele compara duas empresas e duas formas de liderança. Uma delas é a General Electric (GE) na época em que o CEO (diretor executivo) era Jack Welch nos anos 1980 e 1990 (Welch se aposentou em 2001) e a outra empresa é a CostCo e seu co-fundador James Sinegal (a CostCo é a segunda maior varejista dos Estados Unidos, atrás apenas do Walmart).

Jack Welch foi, por muito tempo, referência de administração mundialmente reconhecido. O “Jeito Welch” ainda é modelo de gestão em muitas empresas e organizações.

Mas o que é o “Jeito Welch”?

Basicamente, é uma gestão baseada no curto prazo, para benefício dos acionistas, colocando os números em primeiro lugar, com altos bônus para si próprio – baseados nos valores das ações – e para seus principais executivos. Jack Welch faz parte da primeira geração de CEO`s que ficaram bilionários sem fundar as empresas e nem foram responsáveis pelo IPO (abertura de capital em bolsa de valores). E, para isso, ele praticou um “jeito” de gestão de pessoas que consistia em demitir os gerentes que menos contribuiam para o aumento dos preços das ações ao mesmo tempo que gratificava, com opções de ações, os gerentes que tinham os melhores desempenhos a cada ano.

De fato, Welch conseguiu seu objetivo: aumentar as vendas da GE e aumentar o valor de mercado da GE durante sua gestão, mesmo que o gráfico de valor de mercado da empresa seja cheio de altos e baixos. No entanto, o desempenho no período de sua gestão é igual a média das 500 maiores empresas negociadas na bolsa dos Estados Unidos, ou seja, ele pegou uma carona na onda de bonança dos anos 1980 e 1990 e, além disso, priorizou os resultados de curto prazo, a gratificação imediata e deixou a maioria das pessoas em segundo plano. Uma cultura baseada em altas doses de dopamina e cortisol.

Se um investidor tivesse investido na GE e na CostCo em 1986 (ano que aconteceu a abertura de capital da CostCo) e retirado o investimento em 2013 (ano em que Simon Sinek fez a pesquisa), o lucro seria de 600% na GE (praticamente a média das 500 maiores empresas) e 1.200% na CostCo. Ou seja, o dobro. E, na CostCo, com uma curva de crescimento estável e previsível.

O co-fundador da CostCo, James Sinegal, que administrou a empresa de 1983 até 2012, acreditava no equilíbrio e acreditava que as pessoas sempre são prioridade. Ele sabia que se a empresa tratasse seus funcionários como um time único, eles retribuiriam com lealdade e dedicação incondicional. Diferentemente de seu principal concorrente no setor de varejo (o Walmart), a CostCo não prioriza baixos salários e poucos benefícios para os funcionários. Pelo contrário, os salários e os benefícios são acima da média do setor e acima do concorrente. Sua atitude de “pessoas em primeiro lugar” foi a fundação para uma cultura que permite que a serotonina e a ocitocina façam o trabalho ocasionando segurança, cooperação, lealdade e empatia. Em tempos difíceis, como a crise de 2008/2009, enquanto empresas demitiam muitas pessoas, a CostCo aprovava aumento de salário para os funcionários. “É o momento de apoiar as pessoas”, disse Sinegal na época.

Em empresas que não colocam as pessoas em primeiro lugar, não importa o quanto as pessoas trabalham. Se for necessário demitir para beneficiar o fechamento dos números, é isso que vai acontecer. É assim que é: efeito de um desequilíbrio biológico e químico, com altas doses de dopamina.

Quando se fala apenas em resultados, em desempenho, em lucro, em números, esquecemos de uma parte essencial: as pessoas, as vidas das pessoas, que são no fim das contas quem gera os resultados, o desempenho, o lucro e os números.

Existem muitas pessoas talentosas com a capacidade de administrar empresas, ou seja, de fazer “gestão de pessoas”. Mas, a boa liderança não se baseia exclusivamente na habilidade de administração ou gestão. Administrar pessoas não é o mesmo que liderar pessoas. E vice-versa: liderar não é o mesmo que administrar ou gerenciar pessoas. Administrar e gerenciar pessoas significa que existe autoridade por causa de um cargo mais alto, mas isso não é liderar pessoas.

Liderar, portanto, significa que as pessoas seguem essa liderança por vontade própria e não porque são obrigadas a seguir pelo seu cargo. Não porque são pagas para seguir a liderança, mas porque QUEREM seguir a liderança. E essas lideranças são boas porque seus seguidores confiam que as decisões tomadas são baseadas nos melhores interesses do time, em primeiro lugar. Por sua vez, aqueles que são liderados, vão trabalhar duro porque sentem que estão trabalhando para algo maior do que eles mesmos e confiam nas lideranças. Há empatia mútua, lealdade recíproca e sentimento de pertencimento.

Consequentemente, quando os ambientes promovem o desenvolvimento contínuo das pessoas e as lideranças promovem a segurança e a confiança das pessoas, a maioria delas vai para casa todos os dias com um sentimento melhor sobre si mesmas.

Por outro lado, são milhões de pessoas que vão para casa todos os dias, sentindo que elas trabalham para uma empresa que não se importa com elas e, mais grave ainda, sabem que grande parte das lideranças governamentais não se importam com elas. São pais, mães, irmãos e irmãs, filhos e filhas que trabalham em empresas e vivem em lugares em que não se importam com seus trabalhadores e com seu povo.

O que nos falta são lideranças mais humanas e não apenas focadas nos resultados financeiros e nos lucros individuais. Acredito que essa crise de liderança nas organizações públicas e privadas é a fonte das crises das pessoas e que resultam muitas vezes em famílias destruídas, casamentos destruídos e vidas destruídas, pois muitas dessas pessoas trabalham em organizações, empresas e locais onde seus líderes públicos e privados não colocam as pessoas em primeiro lugar.

A boa notícia é que nós temos o poder de solucionar isso, começando por nós. A nossa missão como novos líderes é criar ambientes onde as pessoas possam descobrir seus talentos, desenvolver seus talentos, compartilhar seus talentos, e, muito importante também, serem reconhecidas por terem feito tudo isso, o que vai criar a oportunidade para que elas possam ir para casa depois de um dia de trabalho e sintam que o seu trabalho tem valor e as suas vidas têm significado para as organizações, empresas e locais onde vivem e trabalham.

E, com isso, cheguei à seguinte conclusão: se as nossas organizações assumirem a responsabilidade de promoverem a sensação de segurança e realização, a sensação de que o que elas fazem tem importância, essas pessoas serão melhores seres humanos, melhores maridos, melhores esposas, melhores filhos, melhores filhas, melhores irmãos, melhores irmãs, e elas terão uma chance maior de lidar com as questões das suas famílias, de criar seus filhos de uma forma melhor, isso tudo se elas se sentirem melhor sobre elas mesmas e, por consequência, as crianças que são frutos dessas famílias vão crescer vendo bons relacionamentos e boas uniões entre os pais e muitos dos problemas que enfrentamos serão minimizados porque nós vamos ter organizações, governos e empresas que realmente se importam com o impacto que têm nas vidas das pessoas que vivem e trabalham em seus ambientes. E tudo isso começa nas pessoas, em cada um de nós.

Isso tudo torna muito claro que nós podemos mudar muitas situações que nós vivemos. Nós não precisamos do governo para fazer isso, não precisamos dos políticos para fazer isso, ou qualquer organização para fazer isso. Cada um precisa fazer a sua parte e começar a mudança no seu âmbito. Isso começa com cada um de nós, como líderes nas empresas e organizações em que trabalhamos, como líderes nas nossas famílias, pela forma como tratamos e nos importamos com as pessoas que trabalham nas empresas e nas organizações e que convivem nos ambientes que nós convivemos, e precisamos ter consciência do impacto que isso causa na vida das pessoas.

Então, lembre-se: liderança não é uma licença para fazer menos; é uma responsabilidade de fazer mais. E esse é o desafio. Liderança exige trabalho. Liderança exige tempo e energia. Os efeitos não são sempre facilmente medidos e nem sempre são imediatos. Liderança é sempre um compromisso a longo prazo e deixando em segundo plano muitos interesses individuais, priorizando o bem coletivo.

Acredito que tudo sobre ser líder é como ser um pai ou uma mãe. É sobre se comprometer com o bem-estar das pessoas que convivem conosco, cuidando delas, provendo para elas as oportunidades e tendo a vontade de fazer sacrifícios para ver seus interesses avançando para que elas levem adiante a nossa missão.

Simon Sinek cita o exemplo do Exército. Nessas organizações, eles dão medalhas para as pessoas que estão dispostas a sacrificar suas vidas para que seus líderes, pares e liderados consigam a vitória. E se perguntamos para essas pessoas que se sacrificam pelos outros, porque elas fizeram o que fizeram, arriscando suas vidas por pessoas que muitas vezes nem conhecem direito, a resposta gira em torno da seguinte razão: “porque eu sei que eles teriam feito o mesmo por mim.”

São esses profundos sentimentos de compaixão, empatia, confiança e cooperação que nos tornam humanos. O problema com os conceitos de compaixão, empatia, confiança e cooperação é que eles são sentimentos, eles não são instruções. Eu não posso simplesmente dizer “tenha compaixão por mim”, “tenha empatia por mim”, “confie em mim”, “coopere comigo”. Não funciona assim. São sentimentos que precisam ser nutridos, cultivados.

De onde é esse sentimento vêm? Novamente, se nós voltarmos no tempo, para os primórdios do homo-sapiens, descobrimos que o mundo estava cheio de perigos, todos esses perigos externos ameaçando nossas vidas. Falta de recursos, animais selvagens, tudo tentando reduzir nossa expectativa de vida. E então nós evoluímos em sociedades, onde começamos a morar juntos e trabalhar juntos em ambientes mais seguros e controlados. Primeiro em tribos, depois vilas, depois em cidades, estados e países onde sentimos ou deveríamos sentir que pertencemos a esses locais. E quando sentimos segurança dentro da nossa “tribo”, a reação natural é a compaixão, a confiança e a cooperação. Há benefícios inerentes nisso. Isso significa que você consegue dormir à noite confiando que alguém da sua tribo vai cuidar da sua segurança. Se não confiamos uns nos outros, se eu não confio em você, se não confiamos nos nossos líderes, isso significa que você ou nossos líderes não estão vendo o perigo. Há negligência. Há abandono. Os níveis de dopamina e cortisol são altos.

Nos dias atuais é exatamente a mesma coisa. O mundo está cheio de perigos, as coisas que estão tentando frustrar nossas vidas ou reduzir nosso sucesso, reduzir a nossas oportunidades de sucesso ou, em muitos lugares, a própria insegurança pública, a falta de segurança nas ruas, a falta de educação e oportunidades que acaba criando mais problemas sociais e econômicos. Podem ser também outros perigos, como os altos e baixos da economia, a incerteza dos agentes da economia que inibe o consumo e os investimentos. Pode ser uma nova tecnologia que torna um modelo de negócio obsoleto. Ou pode ser seu concorrente que está tentando tirar você do mercado ou no mínimo está trabalhando duro para reduzir o seu crescimento e pegar uma parte da sua fatia de mercado. A maioria de nós não tem controle sobre estas forças externas. As forças externas são uma constante.

A única variável que podemos ter controle são as condições dentro das tribos, das famílias, das empresas, das cidades, dos estados e dos países. E o fator principal é a liderança. Lembre-se: é a liderança que dá o tom. Quando um líder faz a escolha de colocar em primeiro lugar a segurança e a vida das pessoas e consequentemente escolhe sacrificar seus interesses individuais e sacrificar um pouco dos resultados tangíveis, para que as pessoas continuem seguras e sintam que têm importância, coisas boas acontecem.

Se o ambiente em que vivemos e convivemos não é seguro, somos obrigados a gastar nosso tempo e nossa energia para nos proteger uns dos outros, e isso, indiretamente, enfraquece a relação entre as pessoas, enfraquece as organizações e enfraquece as empresas, enfraquece os governos. Quando nos sentimos seguros, vamos naturalmente combinar nossos talentos, nossas habilidades e nossas forças e trabalhar incansavelmente para enfrentar os perigos do lado de fora e aproveitar as oportunidades.

Por isso, a melhor analogia para o que um grande líder é, é como ser um pai ou ser uma mãe. Se pensamos sobre o que é ser um bom pai ou uma boa mãe, o que um bom pai e uma boa mãe querem? O que faz um grande pai e uma grande mãe?

Boas mães e bons pais querem dar oportunidades para as crianças, dar segurança, dar educação, exigir disciplina quando necessário, tudo para que elas possam crescer e alcançar mais conquistas. Grandes líderes nas organizações, nos governos e nas empresas devem querer exatamente a mesma coisa. Eles devem querer dar oportunidades para as pessoas, dar segurança, dar educação, dar treinamento, exigir disciplina quando necessário, construir a sua autoconfiança, dar a oportunidade de tentar e falhar, dar todo o apoio e suporte para que os liderados possam conseguir o que jamais poderiam conseguir sozinhos.

Liderança é uma escolha. Não é um posto. Sei que muitas pessoas nos níveis mais altos de muitas organizações, governos e empresas não são líderes. Elas são autoridades. E fazemos o que elas dizem porque elas têm autoridade sobre nós, mas nós não seguiríamos essas pessoas se nos dessem essa opção. E sei que muitas pessoas que estão nas bases das organizações, dos governos e das empresas e que não tem praticamente nenhuma autoridade são líderes natos. E essas pessoas são líderes porque elas escolheram. Elas escolheram cuidar e prover segurança para as pessoas à sua volta.

Isso é o que líderes fazem.

[/et_pb_text][/et_pb_column][/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=”3.4.1″][et_pb_column type=”4_4″ _builder_version=”3.4.1″ parallax=”off” parallax_method=”on”][et_pb_text _builder_version=”3.4.1″]

Trechos do livro digital gratuito

“Trabalho, Sucesso e Impacto – Um guia para se livrar da lavagem cerebral, construir sua carreira de sucesso, praticar a boa liderança e criar o seu impacto no mundo”.

100% gratuito aqui:  

https://tiagorios.blog/livro-digital-gratuito/

[/et_pb_text][/et_pb_column][/et_pb_row][/et_pb_section][et_pb_section fb_built=”1″ _builder_version=”3.4.1″ custom_padding=”0|0px|0|0px|false|false”][et_pb_row custom_padding=”26px|0px|27px|0px|false|false” _builder_version=”3.4.1″][et_pb_column type=”4_4″ _builder_version=”3.4.1″ parallax=”off” parallax_method=”on”][et_pb_image src=”https://tiagorios.blog/wp-content/uploads/2018/06/quer-saber-novos-posts-celular.png” align=”center” _builder_version=”3.4.1″][/et_pb_image][/et_pb_column][/et_pb_row][et_pb_row custom_padding=”103px|0px|0|0px|false|false” _builder_version=”3.4.1″][et_pb_column type=”4_4″ _builder_version=”3.0.47″ parallax=”off” parallax_method=”on”][et_pb_text _builder_version=”3.4.1″ text_font=”|600|||||||” text_text_color=”#009bff” header_font=”||||||||” custom_margin=”-133px|||” animation_style=”bounce” animation_repeat=”loop” animation_duration=”8000ms” animation_starting_opacity=”100%” animation_speed_curve=”linear”]

(atenção: este número não recebe ligaçõessomente WhatsApp)

[/et_pb_text][/et_pb_column][/et_pb_row][/et_pb_section]