Veja como foi nossa evolução como espécie humana no “mercado de trabalho”, resumidamente: no início, nós éramos caçadores. Depois, nos tornamos agricultores.

Mais tarde, nos mudamos para as grandes cidades e começamos a trabalhar no sistema industrial, no comércio e nos serviços. Esse sistema industrial tem pouco mais de 100 anos de existência e, no futuro, provavelmente em menos de 100 anos, acredito que grande parte do sistema industrial como é hoje e até mesmo algumas atividades ligadas ao comércio e aos serviços que existem hoje serão automatizadas e robotizadas.

E, cada vez mais, emerge uma nova atividade: artistas. Mas não estou falando apenas do artista tradicional, que pinta, dança, canta e atua. Não estou me referindo a esses artistas especificamente, mas sim aos artistas que fazem trabalhos que mudam pessoas, que mudam o ambiente, que mudam o mundo em que vivem.

A arte tradicional também pode mudar pessoas. Mas nem todos podem ser artistas tradicionais, por falta de um dom para a arte tradicional. No entanto, todos podem ser artistas que fazem conexões com outras pessoas e mudam essas pessoas para melhor, causando um impacto positivo.

São artistas que trabalham em qualquer área de atuação, não importa qual seja, desde que o trabalho envolva impactar o mundo e contribuir com outras pessoas, através do conhecimento, da habilidade, espalhando ideias e sabedoria, dando voz, contando sua história, usando a experiência, compartilhando talentos únicos e mostrando humanidade. Na sua área, você pode ser artista. Ser artista é o oposto de ser um peça na engrenagem do sistema.

Mas, o que é ser uma peça na engrenagem do sistema?

Talvez eu tenha ido rápido demais no resumo da nossa evolução, então vamos voltar um pouco no passado, pouco mais de 100 anos atrás, para contextualizar.

Provavelmente você sabe quem foi o grande empresário Henry Ford (1863-1947). Sim, o homem que não inventou o carro mas que, em 1903, fundou a Ford Motor Company em Detroit, nos Estados Unidos, onde cinco anos depois, em 1908, foi lançado o “Modelo T” que popularizou o automóvel como o conhecemos hoje, sendo o primeiro carro a ser produzido e vendido em grandes quantidades e onde, seis anos depois, em 1914, foi instituído o Fordismo, um sistema de produção em massa, com linhas de montagem verticais e sistemas de gestão integrados à fábrica, tendo em vista a produção em massa e o consumo massivo. Henry Ford tinha como objetivo reduzir o custo de produção dos automóveis para que cada pessoa fosse capaz de ter um carro. Henry Ford foi, sem dúvida, um dos grandes empresários do início do século XX.

Henry Ford seguiu à risca os princípios de padronização de Frederick Taylor (1856-1915), um engenheiro mecânico que é considerado o pai da Administração Científica e escreveu o livro “Os Princípios da Administração Científica” em 1911. O foco de Taylor era a eficiência produtiva e a eficácia operacional na administração industrial, o que foi chamado de “Taylorismo”. Com esse livro, Taylor propôs que a atividade de administrar uma empresa deveria ser tratada como uma ciência. A ideia principal de Taylor é a racionalização do trabalho, que envolve a divisão de funções dos trabalhadores.

Taylor criticava fortemente a administração por incentivo e iniciativa, que acontece quando um trabalhador, por iniciativa própria, sugere ao patrão ideias que possam dar lucro à empresa, incentivando seu superior a dar ao subordinado uma recompensa ou uma gratificação pelo esforço demonstrado. Isso foi criticado por Taylor porque, na visão dele, quando se recompensa os subordinados por ideias ou atos, o patrão torna-se dependente dos subordinados.

Como consequência desse sistema, os trabalhadores se sentem explorados, pois percebem que esse tipo de administração é uma técnica para fazer o operário ser apenas obediente, trabalhar mais e ganhar relativamente menos. E, com o passar do tempo, esse modelo de administração começou a ser criticado porque transformou o homem em uma máquina. O operário passou a ser tratado como uma engrenagem do sistema produtivo, passivo e desencorajado a tomar iniciativas, já que os superiores não ouvem as ideias dos funcionários subordinados, uma vez que estes são considerados desinformados e menos qualificados para dar opiniões. Além disso, o modelo trata os indivíduos como um só grupo, não reconhecendo a variação entre eles, gerando descontentamento por parte dos trabalhadores.

A padronização do trabalho causa, no médio e longo prazo, muito mais a intensificação do trabalho do que serve como forma de racionalização do trabalho. Em outras palavras, o sistema industrial, com o passar dos anos, se resumiu a fazer tudo mais rápido, com mais eficiência na produção. Hoje, muitas empresas são baseadas nesse sistema. São empresas que são fábricas do passado, mesmo que não sejam fábricas propriamente ditas. Essas empresas são fábricas do passado porque são sistemas produtivos, com trabalho padronizado, intensificado, onde os funcionários apenas cumprem as ordens dos superiores e não tem iniciativa (por falta de incentivos).

A partir do industrialismo do século XX, houve também a disseminação das peças de reposição compatíveis, aumentando ainda mais a eficiência produtiva, principalmente no ramo automobilístico e depois em outros ramos industriais. Antes do século XX, era difícil substituir uma peça por outra em uma máquina, por exemplo.

E com a insatisfação dos trabalhadores, surgiu a necessidade de “produzir” mais trabalhadores. Ou seja, depois da disseminação das peças compatíveis para reposição, veio a disseminação das “pessoas compatíveis” para reposição dos trabalhadores que não se encaixavam mais na engrenagem do sistema e precisavam ser trocados por outros trabalhadores.

E qual foi a solução para produzir mais trabalhadores compatíveis com o sistema, para se encaixar na engrenagens?

As escolas públicas, gratuitas e obrigatórias.

As escolas públicas, gratuitas e obrigatórias, em sua origem, serviam para dois objetivos principais: “produzir” trabalhadores obedientes para as fábricas e, paralelamente, “produzir” consumidores para comprar os produtos que saíam das fábricas.

E o resto é história. Chegamos onde chegamos.

Então, ser um artista que muda pessoas é o oposto de ser uma peça de reposição numa engrenagem do sistema. E como podemos ser artistas do século XXI?

Com um computador e um acesso à internet, nós temos acesso às ferramentas para fazermos a nossa arte, temos acesso a milhares de pessoas, temos acesso à ferramentas de edição de texto, gravação de áudio, gravação de vídeo, enfim, tudo que você precisa para impactar e contribuir com outras pessoas utilizando o que você sabe e fazer um trabalho que importa, fazer a diferença.

No passado, existiam intermediários. E existia a separação entre o trabalhador e o patrão, porque o patrão controlava os meios de produção (as máquinas). Hoje você pode ser trabalhador e patrão, ao mesmo tempo. Você tem um meio de produção na sua mão: um computador com acesso à internet.

Não existe mais muro entre donos e trabalhadores. Você pode ser os dois. Nenhum intermediário pode dizer “não” para você, nunca mais. Não há intermediários. Você não será rejeitado por intermediários. Você não precisa obedecer aos donos dos meios de produção. Você possui os meios de produção: um computador, a internet e a sua cabeça – onde você tem armazenados seus talentos, suas habilidades, seu conhecimento, sua sabedoria, sua história, sua experiência de vida e de trabalho.

Se a pessoa se torna uma peça de reposição na engrenagem do sistema, por não desafiar o estado atual das coisas, por não ver as oportunidades, por não escolher se destacar e ser notável, essa pessoa mais cedo ou mais tarde será trocada por outra peça, mais nova e mais barata. É isso que acontece: todos os anos, peças mais novas e mais baratas são produzidas. Seja nas fábricas, seja nas escolas, seja nas faculdades.

Por isso, precisamos nos diferenciar das peças de reposição na engrenagem do sistema.

E como fazemos isso?

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