Há algum tempo atrás, me vi pensando na seguinte pergunta: “quantas pessoas viveram no mundo até hoje?”

Comecei a pesquisar e vi que existe uma estimativa calculada pelo Population Reference Bureau (PRB) em 2011: foram aproximadamente 108 bilhões de pessoas. É uma estimativa considerando 50 mil anos de evolução do homo sapiens. O pesquisador que fez essa estimativa comenta algo interessante sobre a mortalidade no passado: mesmo no início do século XX, a mortalidade era muito alta. Não era incomum que uma família com 4 filhos perdesse 3 filhos devido a algum tipo de doença (veja como a medicina evoluiu…).

E, mais do que isso, você sabe quais são as chances matemáticas de você ter nascido e estar vivo hoje? Segundo o matemático Ali Binazir, é uma chance em 400 trilhões. Ou seja, não apenas é de fato um milagre; é um milagre calculável. Isso mesmo, 1 em 400.000.000.000.000.

Atualmente somos aproximadamente 7.5 bilhões de pessoas. No ano 2000, éramos 6 bilhões de pessoas. Em 2050 seremos 10 bilhões de pessoas, segundo as projeções de crescimento da população mundial. E a expectativa de vida nunca foi tão alta, quase 80 anos de idade. No início do século XX, a estimativa de vida era aproximadamente 40 anos de idade. E existem projeções dizendo ser possível que, a partir de 2100, a expectativa de vida pode chegar a 120 anos de idade, devido aos avanços da medicina.

 

A partir dessa reflexão, outras perguntas que eu faço: quantas pessoas viveram realmente suas vidas? Quantas pessoas realmente vivem a vida?

Segundo pesquisas, mais de 70% das pessoas estão insatisfeitas no trabalho. E o trabalho é o que consome a maior parte do nosso tempo na vida adulta, no período que temos mais saúde e disposição (dos 20 aos 60 anos de idade).

 

É lamentável saber que muitas pessoas passam 40 anos trabalhando dessa forma. Uma outra pesquisa mostra que apenas 34% dos trabalhadores tem engajamento no trabalho. Completando a pesquisa, temos 46% das pessoas desengajadas. E 20% são desengajadas ativas. Isso significa que 1 em cada 5 das pessoas odeiam o que fazem, odeiam a empresa onde trabalham e odeiam as pessoas com quem trabalham. Além disso, elas ativamente prejudicam a empresa na qual trabalham, diretamente ou indiretamente.

E, observando as pessoas, podemos ver que muitas não estão aproveitando o potencial que têm. Pessoas que não estão vivendo suas vidas plenamente e não estão conscientes das suas capacidades diante da vida. Acredito que, para mudarmos isso, nós precisamos pensar sobre nossas vidas de forma diferente.

Nós enfrentamos muitas crises. Existem crises econômicas, crises na educação, crises na saúde, crises na segurança pública, crises políticas e assim por diante. Todas essas crises nós, como humanidade, somos os causadores e as vítimas ao mesmo tempo. E existe uma outra crise que talvez seja a pior de todas: a crise das pessoas. A crise que está essencialmente baseada no que estamos fazendo com as nossas vidas, o que estamos fazendo nos anos mais produtivos das nossas vidas, no período chamado de “idade produtiva” que é quando as pessoas estão “economicamente ativas”, isto é, pessoas que estão aptas a trabalhar, produzir e gerar prosperidade para si, suas famílias e para sociedade.

Para enfrentar esses desafios, nós teremos que pensar diferente sobre nós mesmos, nós precisaremos cada vez mais nos conhecer melhor e pensar diferente sobre a forma que nós desenvolvemos nossas relações pessoais, nossas relações profissionais, nossas comunidades, nossas escolas, nossos sistemas de educação, nossas organizações, nossas empresas e nossas formas de trabalhar.

Agora é o momento de escrever a nova história do nosso futuro. Escrever a nova história do futuro das nossas famílias e criar nosso impacto no mundo. O passado não precisa ser igual ao futuro. Nossas experiências ruins, nossas tragédias, nossas crises e nosso passado, tudo isso vai ficar para trás.

Vou te contar uma história:

Era uma vez um menino de 12 anos de idade, que estava na casa do pai, brincando num jogo de computador. Era uma noite do ano de 1996. O menino chamou o pai e perguntou: “pai, como eu faço isso aqui, nesse jogo?” e o pai do menino disse: “não me chame de pai”.

Num misto de choque e surpresa, sem entender o que estava acontecendo, o menino pergunta: “Não entendi. Porquê não?”

E o pai do menino diz: “É difícil explicar, só não me chame de pai”. E lá está essa criança de 12 anos pensando: “meus pais não me amam, eles não querem ser meus pais”.

Esse menino era eu.

Por que eu tive aquele pensamento? Por que eu pensei que meus pais não me amam e não querem ser meus pais?

Na época, eu não entendia o que estava acontecendo na minha vida. Eu morei com minha madrinha (irmã do meu pai) dos 2 anos de idade aos 5 anos de idade. Chamava minha madrinha de “mãe”. E minha mãe biológica me tirou de lá para morar com minha avó materna.

Qual é o sentimento que um pré-adolescente pode ter com essa confusão? Lembro de chegar um momento que eu estava conversando com meus amigos, com mais ou menos 10 anos de idade e eu me comparava com crianças adotadas, que são levadas de um lugar para outro. Pensava que eu não fui “planejado” e que não era para eu estar em lugar nenhum. Que ninguém queria a minha presença. Que eu não era amado o suficiente para que alguém quisesse me criar como filho.

Meu pai não disse aquilo porque ele não é meu pai. Ele é meu pai. Mas ele simplesmente optou por negligenciar a paternidade. Atualmente, eu falo sobre isso com naturalidade, é a minha história. Estou vivendo a minha vida com esse fato. E também não é meu objetivo culpar meus pais por nada. A questão não é essa.

Olhando para a forma como meu pai se relacionava com o pai dele, chamando-o pelo nome e não por “pai”, eu vejo que eu estava entrando em uma corrente. Meu pai não chamava o próprio pai de “pai”. Chamava pelo nome. E nunca vi meu avô chamar meu pai de “filho”. Talvez aí esteja o motivo, mas não a justificativa.

Na época que isso aconteceu, eu morava com minha avó materna. Não tive a referência paterna tradicional. E com 14 anos de idade tive uma oportunidade e fui morar sozinho, começando a trabalhar. Sou grato à muitas pessoas da minha família que me ajudaram e outras tantas pessoas de fora da família que me apoiaram durante os períodos mais difíceis. Posso citar muitas pessoas, mas seria injusto com tantas outras. Quem me ajudou sabe que sou grato e serei eternamente grato. Sem esse apoio, talvez eu não teria chegado onde cheguei e não estaria agora iluminando o caminho para outras pessoas.

Pensando no meu pai, lembro que ele é uma pessoa que tinha potencial e não aproveitou. Nos anos 1990 ele fazia pequenos robôs, controlados por software. Ele trabalhava com eletrônica, usava computadores logo que eles foram lançados no Brasil nos anos 80 e 90. Lembro de ter contato com o Microsoft DOS e as primeiras versões do Microsoft Windowsno computador que meu pai tinha na época, no início dos anos 1990. Meu pai poderia ser uma pessoa muito bem-sucedida mas, olhando de longe, eu vejo que ele desistiu, por motivos que só ele sabe.

Sei que essa pode ser uma história comum para muitas pessoas. Sei que existem milhões de pais separados no Brasil e no mundo, filhas e filhos de pais separados, negligências de paternidade, de maternidade, crianças órfãs e todos os tipos de problemas familiares. Famílias desestruturadas e disfuncionais viraram algo comum nos tempos atuais. Embora não seja “normal”, é comum.

Apesar de tudo, não podemos ser vítimas dos condicionamentos mentais do passado. Temos o poder de quebrar as correntes do passado e nos livrar de qualquer situação destrutiva. Lembre-se disso.

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