(…) O aprendizado contínuo é essencial para o sucesso. O poder de cada pessoa está em seu conhecimento e ele deve ser buscado dentro e fora da escola ou da faculdade. Para isso, é necessário ter humildade para admitir que não sabemos tudo. Existem basicamente duas razões que impedem muitas pessoas de desenvolver o potencial e aprender mais: (1) a ansiedade de ter resultados rápidos sem esforço e (2) a falta de humildade.

É necessário ser humilde, simplesmente porque você não sabe o que você não sabe ainda. Um grande erro que as pessoas cometem é achar que sabem tudo. Não há como saber tudo, até porque o mundo muda todos os dias. Mesmo que você seja uma pessoa muito talentosa, se você não é humilde o bastante para aceitar que precisa continuar aprendendo, continuar absorvendo conhecimento, como uma esponja, você não vai desenvolver suas habilidades no seu máximo potencial. Com essa mentalidade de crescimento, conseguimos evoluir muito mais.

Muitas vezes, ouço mães, pais, avós e avôs dizendo “meu filho já terminou os estudos”, “minha neta já terminou os estudos”. Se você “já terminou os estudos”, repense essa afirmação. Não “termine” os estudos. Mas sim, continue os estudos. Os estudos não acabam na escola ou na faculdade, porque as escolas e faculdades não ensinam muito do que realmente precisamos para a vida e para o sucesso.

As escolas e faculdades deveriam ensinar habilidades humanas mais práticas e desenvolver a inteligência emocional das pessoas. Por exemplo: habilidades de liderança; como falar em público, como compreender as pessoas e os acontecimentos, como criar autoconfiança, como ter influência, como construir sucesso profissional numa era pós-industrial, como construir sucesso financeiro, como abrir o próprio negócio, como trabalhar em equipe e criar soluções para problemas humanos.

Por exemplo, tivemos muito progresso na definição e estudo dos perfis psicológicos das pessoas. Isso pode ser ensinado nas escolas e faculdades também, para ajudar nos métodos de ensino, nas formas de aprendizado e na resolução de conflitos. Se as crianças e os jovens conhecessem mais sobre si mesmos desde cedo, o desenvolvimento pessoal e o desenvolvimento profissional das pessoas seriam muito diferentes. E consequentemente, as chances de sucesso na vida seriam maiores.

Os alunos estariam muito mais interessados nesses conhecimentos práticos, aprendendo teorias e práticas modernas, que usamos todos os dias para o resto da nossas vidas, a partir do momento que saímos do sistema de educação formal. Não apenas aprender geografia, datas históricas, quais são as montanhas mais altas ou em que ano um fato aconteceu. Não devemos simplesmente memorizar informações, como as datas das Revoluções, capitais dos estados e dos países. Tudo isso é bom saber, mas é demasiada a quantidade de informações que não utilizamos na vida. Se precisar saber a capital de um lugar e não sabemos, na maioria das vezes nossa vida não está ameaçada, não é o fim da carreira profissional. Você vai na internet e pesquisa.

Há quem diga que ensinar todas essas habilidades relacionadas à inteligência emocional é um papel das famílias. Aí é que está o ponto: a maioria absoluta das famílias não aprendeu nada disso com suas famílias. A maioria de nós está numa corrente onde a origem não tem esse conhecimento. Isso é uma questão de lógica. Isso tudo é uma novidade da época que estamos vivendo. A inteligência emocional não era tão necessária antigamente como ela é hoje. Esse discurso que coloca a culpa nas famílias não serve para solucionar o problema.

No livro “The Big Picture”, os professores americanos Dennis Littky e Samantha Grabelle falam sobre esse assunto. Dennis foi professor, diretor de escola pública e depois criou sua própria escola. A escola pública na qual ele foi diretor, atendia estudantes de famílias pobres. Quando chegou na escola, Dennis mudou tudo. Contratou apenas professores empolgados e enérgicos, mas não só isso. Ele mudou toda o sistema. Ele tirou o foco das provas. Ele parou de controlar as notas. Ele concentrou-se nos estudantes como seres humanos. Ele quis que seus alunos evoluíssem como pessoas. A sua escola não era só para memorizar fatos, mas para realmente aprender a pensar, liderar, buscar conhecimento útil e resolver problemas interessantes. E, ainda mais importante, como usar o pensamento de forma correta e usar os conhecimentos para solucionar conflitos. A maioria das aulas eram baseadas em projetos individuais sobre os interesses de cada criança. E os professores ajudavam a orientar esses projetos e estruturá-los. 

Por exemplo, se uma criança adorava dinossauros, eles iriam criar um projeto sobre dinossauros. Os professores de matemática, os professores de ciências, de geografia, de história ajudariam esses alunos a aprender tudo, focando em dinossauros. Para a matemática, eles utilizaram o tamanho dos ossos, para fazer cálculos. E sobre geografia, a localização dos dinossauros; a história dos dinossauros, e assim por diante. Então, os alunos faziam esses grandes e desafiantes projetos, gostando de aprender com esses assuntos interessantes, que eles escolheram. E o diretor envolveu a comunidade, com mentores, conselheiros, e especialmente os pais, mas também especialistas. Se muitos alunos adoravam dinossauros, eles levavam especialistas dos museus, das universidades, para ensinar a essas crianças tudo sobre o assunto. Então as crianças ficaram entusiasmadas, elas aprenderam a amar novamente o conhecimento. Elas se tornaram apaixonadas por aprendizagem. No fim de seus grandes projetos, as crianças faziam demonstrações e apresentações em público, para as outras turmas, criando autoconfiança, desenvolvendo a liderança. E criavam teses e precisavam defender suas teses, criando também a habilidade da influência.

Isso é o que acontece no “mundo real” do mercado de trabalho moderno, certo? 

Se você está trabalhando em uma empresa, não há uma prova com opções A, B, C e D. Com certeza, não há. Você participa de algum projeto no seu trabalho e quando você termina o projeto, apresenta para seus colegas, seus clientes, sua equipe, seus chefes. Naquela escola, foi isso que as crianças fizeram, com exposições e apresentações, com todos falando em público. 

E o mais impressionante foi que esses alunos faziam provas também, para avaliar o nível de ensino da escola em comparação com outras escolas. E os resultados: seus alunos eram fantásticos nos testes, mesmo sem nunca ter feito qualquer tipo de prova. Eles aprenderam muito mais com métodos que não eram focados em testes e provas. 

De fato, aprender não é memorizar conhecimentos. Aprender é ter compreensão e saber como encontrar e como usar o conhecimento. A aprendizagem acontece não só durante as aulas. Entre uma aula e outra é onde acontece grande parte da aprendizagem, na prática da vida real. Agora, não estou sugerindo jogar tudo fora e desvalorizar o ensino que temos, mas sim olharmos mais profundamente o que definimos como aprendizagem.

Infelizmente, nossa educação não tem o investimento necessário, o sistema é insuficiente e a carreira dos professores não é valorizada. Conheci muitos grandes professores dentro e fora da escola. E quando digo professores, não quero dizer somente sobre professores que têm formação profissional para lecionar. Qualquer pessoa pode ser um professor. Tive muitos colegas e amigos que foram professores para minha vida.

Quando vamos para o mundo real, fora das escolas e faculdades, onde o trabalho acontece, você tem que fazer algo completamente diferente do que nós aprendemos na escola e na faculdade. De repente, você tem que realmente executar os projetos. Você tem que se comunicar. Você tem que ter boas relações com outras pessoas. Você tem que aprender por conta própria. Você tem que fazer pesquisas e achar as informações necessárias para solucionar os problemas do trabalho. Você tem que encontrar o conhecimento. Você tem que criar autoconfiança e ter influência sobre outras pessoas para ter sucesso no mercado de trabalho.

E para ter sucesso precisamos, principalmente, ter muito interesse e energia. Isso é o que vai trazer sucesso no mundo real. E observe que, na maioria das escolas, essas atitudes são castigadas. Quem tem muito interesse pela escola, geralmente é quem tem problemas, é quem sofre bullying. A criança que tem muita energia, que faz muitas perguntas, acaba tendo problemas com outras crianças, que são menos interessadas e têm menos energia. E, por isso, ficar na média se torna o objetivo da maioria. E a maioria acaba nivelada pela média.

(…)

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